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Comissão Organizadora: Enfermeiros de Reabilitação ex-alunos do 2º Curso de Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem de Reabilitação da ESEP
Comissão Científica: Presidente: Fernando Manuel Henriques - APER Anabela Coelho - SOSReabilita Bárbara Gomes - ESEP Cláudia Machado - SOSReabilita José Manuel Correia - APER Maria Arminda Costa - FINE/ESEP/ESEL/UL/UNIFAI Maria Helena Almeida - APER Maria Manuela Martins - ESEP
REABILIDADES IV: Avaliação (clique para abrir)
Sessão de Encerramento (clique para abrir):
Eis-nos chegados à quarta edição do REABILIDADES, desta vez com o mote “a investigar se vai ao longe…”. Este ano, e dada a proximidade existente entre os elementos da Comissão Organizadora do REABILIDADES e a Associação Portuguesa dos Enfermeiros de Reabilitação (APER), o Congresso surgiu de uma parceria entre as duas entidades. Como sempre, a Comissão Organizadora deste evento introduziu algumas alterações e inovações em relação à edição transacta, indo ao encontro das sugestões que foram apresentadas pelas participantes no REABILIDADES III. Desta forma, o Programa Científico do REABILIDADES IV foi constituído a partir de candidaturas efectuadas durante o mês de Julho e reflecte a aposta em novos valores e projectos inovadores. Assim sendo, iniciámos o dia 20 de Setembro com o Projecto MENSANUS, dos Médicos do Mundo, onde participam enfermeiros de reabilitação e que visa pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Como objectivo deste projecto pretende-se, entre outros, aumentar em 20% os níveis de autonomia e de independência dos utilizadores identificados com grau de dependência. Merece todo o nosso reconhecimento esta solidariedade dos enfermeiros de reabilitação para quem mais necessita, sendo que por ser solidária não deixa de ser uma intervenção com o máximo profissionalismo. O profissionalismo na Enfermagem de Reabilitação foi precisamente um dos focos da palestra seguinte, que versou sobre a reabilitação do doente cirúrgico e sobre a relevância da reabilitação motora e respiratória nesse contexto; ficou patente que o ensino/treino no pré-operatório implica melhor colaboração do doente no pós-operatório/alta. Com isto em mente, avançámos para a reabilitação no pós-parto, onde a reabilitação ajuda a mulher a recuperar mais rapidamente a forma e a função. Alguns exemplos são o controlo da dor, da ansiedade, dos edemas, das alterações posturais e das alterações da força muscular. Como comentário final desta primeira mesa, o Prof. Fernando Henriques frisou que se devem medir e publicar estes programas da prática, para que os cuidados que prestamos se traduzam em evidência científica. Já na segunda mesa, focámos a reabilitação renal, mais concretamente a nível da avaliação funcional e efeitos de um treino aeróbio em pacientes hemodialisados com insuficiência renal crónica; sabendo nós que as pessoas com insuficiência renal são sujeitas a grandes períodos de tempo de imobilidade e percorrem longas distâncias até aos centros de hemodiálise, foi evidenciado que o treino aeróbio ajuda a melhorar a forma, a vencer a fadiga e ansiedade e a controlar doenças associadas. Na continuidade da abordagem das doenças crónicas, passámos de seguida para a doença oncológica, desta feita em torno da questão: como aprende o cuidador informal do doente oncológico em fase terminal para cuidar no domicílio? A doença oncológica acarreta um processo de solidão para o doente e para a família, pelo que o enfermeiro de reabilitação será uma peça fundamental no suporte emocional, informacional e instrumental na continuidade dos cuidados no domicílio. Mas nem só nos “doentes” reside o âmbito de actuação do enfermeiro de reabilitação, como ficou comprovado na palestra seguinte e que visou a postura corporal dos enfermeiros na assistência ao autocuidado nos cuidados intensivos. Foi demonstrado que os enfermeiros utilizam posturas desajustadas e que isso implica morbilidade osteo-articular e absentismo. O enfermeiro de reabilitação, pelo ensino da ergonomia e treino dos colegas consegue colmatar estas incorrecções, com clara contribuição (mais uma vez) no controlo dos custos do nosso SNS. Os comentários finais desta mesa, proferidos pela Enfª. Helena Almeida, incidiram a) na necessidade de investigar e divulgar os respectivos resultados, o que funcionará como uma estratégia de marketing para a Enfermagem de Reabilitação, b) na responsabilidade que recai nos profissionais de saúde pelo aumento das pessoas vivem com doença crónica e c) nos custos associados às posturas inadequadas, os quais podem perfeitamente ser prevenidos pela acção do enfermeiro de reabilitação. Ainda com o conceito de doença crónica em mente, foi abordada na terceira mesa a patologia respiratória, onde a primeira palestra versou sobre a alta clínica da pessoa com patologia respiratória e o enfermeiro de reabilitação como instrumento facilitador, onde ficou patente a extrema relevância da equipa multidisciplinar na preparação para a alta/transferência de serviço e dos ensinos na produção de ganhos em saúde. Foram também apresentadas técnicas inovadoras e específicas para a patologia respiratória, como a ventilação oscilatória de alta frequência em adultos com ARDS, a qual apresenta vantagens em relação à ventilação invasiva convencional ao utilizar pequenos volumes correntes, com consequente redução da distensão e estiramento dos alvéolos. E se existem técnicas específicas, existem também patologias específicas, como a queimadura respiratória, a qual aumenta em 20% a mortalidade da pessoa queimada. A intervenção do enfermeiro de reabilitação no tratamento e prevenção de sequelas da queimadura respiratória é fundamental para melhorar a recuperação e evitar as complicações, dado que o doente crítico fica imobilizado por longos períodos e apresenta zonas cutâneas fragilizadas por desbridamento, enxertos e pressão. Mas como a introdução de novas práticas deve ser sempre acompanhada pela revisão e actualização das práticas já existentes, focámo de seguida uma reflexão sobre as técnicas de cinesiterapia respiratória, mais especificamente na obstrução bronco-pulmonar. A Expiração Lenta com a Glote Aberta em Infralateral e a Expiração Lenta Prolongada foram algumas das técnicas discutidas e contrapostas às técnicas mais tradicionais como a vibração e a percussão. Nos comentários finais desta mesa, o enfermeiro Belmiro Rocha frisou que o enfermeiro de Reabilitação deve marcar a diferença no terreno, demonstrando ganhos em saúde. Falou ainda na formação em serviço e na importância de que todos falemos a mesma linguagem. Para terminar, realçou a importância da avaliação inicial e do follow-up para que se produzam conclusões credíveis e fiáveis. Já no dia 21 de Setembro, mantivémos o mote das actuais preocupações a nível dos cuidados de saúde, desta feita na área da patologia ortopédica/osteo-articular. A patologia ortopédica é cada vez mais frequente porque cada vez há mais idosos. Estes também têm mais patologias associadas, o que implica maior dependência nas AVD’s. Isto implica a existência de um cuidador que também ele é cada vez mais idoso. Tudo isto leva a um aumento das quedas, as quais continuam a ser uma importante causa de internamentos no grupo dos idosos. Neste contexto, a primeira palestra lançou uma questão sobre os protectores da anca: eficácia ou falsa segurança? A resposta ainda não é clara: os protectores da anca são usados preventivamente, mas a sua utilização não está directamente relacionada com o custo/benefício e eficácia. Por outro lado, os programas sistematizados de ensino são comprovadamente eficazes a nível preventivo, constituindo um verdadeiro desafio da autonomia em Enfermagem de Reabilitação. É exemplo isso a influência de um programa de ensino pré-operatório na autonomia da pessoa com coxartrose submetida a artroplastia total da anca, onde a intervenção do enfermeiro de reabilitação se traduz em melhores resultados e ganhos em saúde significativos. Mas como já foi dito, os cuidadores dos idosos são, muitas das vezes, outros idosos, o nos leva à necessidade de cuidar do cuidador no idoso dependente do foro ortopédico. As vivências dos cuidadores são muitas e implicam alguma gravidade na sua estabilidade física, psicológica, social e familiar. Desta forma, o enfermeiro de reabilitação não pode descurar a família no seu plano de cuidados, seja qual for o contexto. A terminar esta mesa, a Enf.ª. Arminda Costa afirmou que é importante fazer trabalhos de investigação fora do âmbito académico e publicar os estudos de âmbito profissional e geral; relembrou ainda que o tempo de ensino representa ganhos a longo prazo e que o ensino necessita de tempo para ser implementado de forma eficaz. Para terminar, decorreu uma mesa que resumiu todos os aspectos anteriormente descritos e os concretizou num contexto de particular relevância para a Enfermagem de Reabilitação: o Acidente Vascular Cerebral. Desde a inovação e excelência nos cuidados de enfermagem ao utente com AVC, onde reflectimos sobre a qualidade desejável dos cuidados prestados, ao impacto das atividades de promoção da saúde aos familiares cuidadores de doentes com AVC, onde a família foi encarada como alvo dos cuidados em vez de contexto dos mesmos, muitas foram as dicas de melhoria contínua que emergiram do discurso dos palestrantes. E, já perto do final, foi apresentada uma sistematização da intervenção do Enfermeiro de Reabilitação na fase aguda e pós-aguda dos clientes com AVC, com utilização da Escala de Barthel Modificada. Esta palestra foi complementada com a avaliação integrada pós evento cerebrovascular, onde mais uma vez a sistematização foi apontada como base para uma colheita de dados útil e uma planificação eficaz dos cuidados. Os comentários finais desta Mesa, pronunciados pela Enf.ª Manuela Martins, alertaram para a necessidade urgente de criar património científico na Enfermagem de Reabilitação, através da investigação e da publicação de trabalhos em revistas conceituadas na área. E eis que o ciclo se completa: ao apelo do tema do REABIIDADES IV (A Investigar Se vai Ao Longe), responderam várias pessoas com tantos outros projectos… dos quais emergem novas ideias para investigar!... É este o caminho: pé ante pé, passo ante passo, investigação ante investigação… assim cresceremos, assim ganharemos o justo reconhecimento dos ganhos que produzimos com os cuidados que prestamos. Até 2011!!!
O Presidente da APER
(Belmiro Rocha)
P´la Comissão Organizadora,
(Rui Pedro Silva) |

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965605781 | reabilidades@gmail.com |
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20-21.Set.2010 |
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A Investigar Se Vai Ao Longe... |
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